sábado, 24 de abril de 2010

“Comemoração” aos 50 anos de Brasília.


E vendo esses noticiários babacas nessas emissoras mesquinhas, manipuladoras e “americanizadas”, atualmente uma série de homenagens a nossa grande capital Brasília que comemorou nessa ultima semana seus 50 anos!
Nesse meio século de vida, Brasília passou por anos de euforia, rebeldia e repressão. Após ser inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek, a nova capital federal era invadida pelos tanques e tomada pelos militares que instauraram a ditadura no país, interrompendo o processo democrático que durava desde o fim do Estado Novo de Getúlio Vargas em 1945.
Em vinte e um anos, cinco ditadores, além de uma Junta Militar com outros três, dominaram o país a partir de Brasília. A tão esperada democracia só seria reconquistada em 1985, com a eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República (Este que nem chega a assumir a presidência, dando lugar a José Sarney).
Nem a redemocratização conseguiu eliminar a nódoa da corrupção que insiste em manchar a imagem de Brasília. Para lamento dos brasilienses, a cidade – centro das decisões políticas da nação – se transformou em sede de sucessivos escândalos envolvendo políticos, funcionários públicos e o setor privado. Esses são os anos da vergonha – os mais duradouros vivenciados pela capital federal.
E Brasília de inúmeros escândalos terminou virando letra de música para diversas bandas de rock brasiliense, entre elas destaca-se aqui Os Paralamas do Sucesso. Em “Luiz Inácio (300 picaretas)”, em que Brasília é descrita assim:

"É lobby, é conchavo, é propina e jeton 
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei”.
A letra de Herbert Vianna faz referência ao episódio que ficou conhecido como o escândalo dos “Anões do Orçamento”, esquema de fraudes com recursos do Orçamento Geral da União, liderado pelo deputado federal baiano João Alves de Almeida, falecido em 2004. O caso recebeu esse apelido pelo fato de a maior parte dos integrantes da quadrilha ser formada por parlamentares de baixa estatura.

Cronologia (Quase sem fim,e incompleta) da Corrupção – Homenagem aos 50 anos de Brasília – 50 anos de vergonha.


Mas a vasta tradição de escândalos de Brasília remete ao tempo da ditadura militar. 

1977 Governo Geisel, estoura o caso do “Escândalo Lutfalla”. Denúncias contra o então governador de Paulo Maluf e o ex-ministro do Planejamento Reis Veloso por irregularidades na concessão de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico ao grupo Lutfalla. De acordo com as denúncias, o dinheiro do banco ia para empresas em nome da esposa de Maluf, Sylvia Lutfalla Maluf. Apesar de ostentar uma das fichas mais controvertidas da política nacional,Maluf, NUNCA sofreu nenhuma condenação em virtude dos inúmeros casos escabrosos que protagonizou.

Em 2006, saiu consagrado das urnas com quase 740 mil votos para deputado federal.
De acordo com as contas do Ministério Público de São Paulo, em 39 anos de atividade política, Paulo Maluf lesou o patrimônio público em pelo menos R$ 10 bilhões.

A farra dos escândalos atravessou os governos militares e contaminou as gestões dos civis que sucederam o regime de repressão.

No Governo Sarney O caso mais vistoso foi o da distribuição de concessões de rádios e TVs para políticos aliados e adversários do presidente em troca de cargos, votos ou apoio no Congresso Nacional – Desta forma, Sarney conseguiu aprovar a prorrogação do seu mandato em mais um ano.

Collor chegou a Brasília sob o slogan do “caçador de marajás”, mas terminou frustrando as expectativas dos milhões de brasileiros que o elegeram Em 25 de abril de 1992, Pedro Collor, irmão do presidente, em entrevista denunciou o “Esquema PC” de tráfico de influência e irregularidades financeiras, organizado pelo empresário Paulo César Farias, amigo de Fernando Collor e caixa de sua campanha eleitoral.
Em maio do mesmo ano, o Congresso Nacional instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias - A situação do presidente se complicou com a entrevista de Eriberto França, motorista da secretária de Fernando Collor, Ana Acioli.Ele confirmou que as empresas de PC faziam depósitos regulares nas contas fantasmas movimentadas pela secretária.
As denúncias,foram confirmadas. A opinião pública se mobiliza, os "caras-pintadas" vão às ruas, a mídia adere à onda de pressão e Fernando Collor é afastado do poder, em 29 de setembro de 1992. Numa terça-feira histórica na capital federal, os deputados aprovam, em votação aberta, o impeachment do presidente.

Em 1995, Itamar passou o cargo ao novo presidente, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, eleito pelo PSDB.Chegou ao Palácio do Planalto graças ao sucesso do Plano Real, que controlou a inflação e promoveu a estabilidade econômica.
A Era FHC também deixou um rastro de escândalos que começou logo no primeiro mandato. O  Plano Real levou o presidente a propor uma emenda constitucional para permitir a reeleição. A aprovação da emenda, custou caro. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, receberam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os parlamentares foram expulsos da legenda e renunciaram aos mandatos.
Além disso, teve o caso do programa de privatizações implantado pelo governo tucano que também foi marcado por suspeitas de corrupção. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC, foi acusado de cobrar propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que venceu o leilão da Vale do Rio Doce. Além disso, ele teria pedido R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar, vencedor do leilão do sistema Telebrás.
A lista, porém, não para nestes casos. O governo de FHC terminou com a pecha de ser responsável por abafar quase todas as investigações iniciadas no Congresso Nacional. 




Em 2002, após três tentativas frustradas, Luiz Inácio Lula da Silva se tornou o novo presidente do Brasil. O PT chegava ao poder ancorado nas promessas da distribuição de renda, promoção da justiça social e combate à corrupção. O discurso ético, porém, terminou dando lugar ao pragmatismo da real politik.

Em 2005, as bases do governo petista estremeceram com o escândalo do “mensalão”, esquema de compra de votos de parlamentares para aprovação de projetos de interesse do Executivo. O caso manchou definitivamente a imagem do PT, derrubou uma penca de nomes do governo e provocou uma crise de governabilidade que ameaçou o projeto de poder do partido.

Em 2006, o então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, denunciou 40 nomes como integrantes da “organização criminosa que tinha como objetivo garantir a continuidade do projeto de poder do PT”. Entre os acusados, o ex-ministro da Casa Civil e deputado federal cassado, José Dirceu, o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o presidente do partido, José Genoíno, o ex-ministro das Comunicações, Luiz Gushiken e o publicitário mineiro Marcos Valério – apontado como o operador financeiro do esquema.

Às vésperas das eleições de 2006, outro golpe aprofunda o desgaste do PT: o escândalo dos “aloprados”. O petista Valdebran Padilha foi preso pela Polícia Federal quando tentava negociar um dossiê contra os tucanos José Serra (candidato a governador de São Paulo) e Geraldo Alckmin (candidato a presidente do Brasil). No momento da prisão, Valdebran carregava uma pasta com R$ 1,7 milhão que seria destinado ao empresário Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam, principal firma envolvida no escândalo dos sanguessugas – esquema de venda de ambulâncias superfaturadas.

A exposição da pilha de dinheiro na televisão, poucos dias antes da eleição presidencial, empurrou o pleito para o segundo turno, quando Lula, candidato à reeleição, venceu Geraldo Alckmin e obteve o direito de administrar o país por mais quatro anos.


Brasília mergulha no caos
Quando se pensava que havíamos atingido o ápice dos escândalos de corrupção, um novo caso assola a capital provocando a maior crise da história da política brasiliense. A Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Federal desbaratou um esquema de caixa dois e pagamentos de propina a políticos do Distrito Federal. O chefe da máfia é ninguém menos que o então governador do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido). 


O caso entrou para o panteão dos escândalos brasileiros como o “mensalão do DEM”. Trata-se do escândalo de corrupção mais documentado da história política nacional. Vídeos revelaram deputados distritais escondendo dinheiro (muuuuuuuito dinheiro) em sacolas, meias e nas cuecas. No fim, ainda se lembraram de fazer a inacreditável oração da propina. ¬¬'

E vendo esses "gloriosos" 50 anos de Brasilia a gente percebe que algumas musicas NUNCA envelhecerão, afinal aquilo que o Renato Russo cantava no inicio dos anos 80 nos tempos de "Aborto Elétrico" e posteriormente como "Legião Urbana", nos cai como uma luva nos tempos atuais, porque cada vez mais nos perguntamos "Que Pais é Esse?"...
Assim percebemos que 50 anos de escândalos ainda não foram suficientes para o povo de Brasília acordar da letargia moral. Enquanto isso, vamos colecionando Malufs, Sarneys, Renans, Barbalhos, Quércias, Delúbios, Dirceus, Eduardos Jorges, Severinos, Georginas, PCs, ACMs e toda sorte de anões, aloprados, mensaleiros e congêneres.
Desta forma fica aqui os meus votos de "felicidade"... "PARABÉNS" Brasilia pelos seus 50 anos !

Luto.

2 comentários:

Ex guria boazinha disse...

Mas esse meninO é um gênio uai!
Adorei o textO Fê,muito bem escrito!

Anônimo disse...

Realmente muito bom!! Brasília quem sabe os próximos 50 anos sejam de glória, já que esses passados estão na sua juventude! ou seria infância!?!!! 50 anos para uma "cidade" não é nada, pena que nasceu com o pé esquerdo!

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